Inteligência emocional: transformando comportamento nas organizações

INTELIGENCIA EMOCIONAL

Estamos acostumados com a definição de inteligência ligada àquela medida pelo famoso QI: raciocínio lógico, habilidades matemáticas, habilidades espaciais e verbais, porém, estudos modernos mostram que, a inteligência emocional, é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso das pessoas – principalmente daquelas que exercem algum tipo de liderança. Em seu livro “Inteligência Emocional”, o psicólogo Daniel Goleman, nos traz este conceito.

Um conceito tem transformado o comportamento no meio empresarial: a Inteligência Emocional.

Ao longo de 12 anos, Daniel Goleman, Ph.D., professor de Havard, presidente do Emotional Intelligence Services, em Massachusetts escreveu sobre psicologia e ciências do cérebro para The New York Times.

Um conceito tem transformado o comportamento no meio empresarial: a Inteligência Emocional. Em seu livro “Inteligência Emocional”, lançado no Brasil pela Editora Objetiva, Goleman nos afirma que o conceito de que QI não garante sucesso, não é hereditário e que o autocontrole sobre as emoções é fundamental para o crescimento, desenvolvimento e relacionamento do indivíduo.

A tese de Goleman, especificamente na área de Recursos Humanos, tem inspirado na elaboração de programas de qualidade emocional dentro das empresas:

Procurei enfocar(…)por meio dos níveis de inteligência emocional em uma empresa. Há meios para se desenvolver o QE dos funcionários: fotos e publicações motivam a performance gradativa nos termos de promover qualificações, treinar pessoal, improvisar nas áreas em que atuam e possam fortalecer suas atitudes. Talvez o mais importante seja direcionar tais ações para os altos líderes das empresas desenvolverem seu QE. Dessa forma, as pessoas notarão que essas qualidades são valiosas para a cultura das organizações. Promover altos níveis de qualidade por meio da inteligência emocional é mais do que necessário em dias de instabilidade e para formação de hierarquias horizontais e equipes de trabalho.

A inteligência emocional é caracterizada por Goleman pela maneira como as pessoas lidam com suas emoções e com as das pessoas ao seu redor, ou seja autoconsciência, motivação, persistência, empatia e entendimento e características sociais como persuasão, cooperação, negociações e liderança. Inteligência emocional não é genética, e, portanto, estas habilidades são aprendidas mais do que inseridas.

Para Goleman é como se tivéssemos duas mentes, e por consequencia, dois tipos diferentes de inteligência: racional e emocional. Nosso sucesso e desempenho não são determinados apenas pelo QI, mas principalmente pela inteligência emocional. Na verdade, o intelecto não pode dar o melhor de si sem a inteligência emocional. Quando esses parceiros interagem bem, a inteligência emocional aumenta e, consequentemente sua capacidade intelectual.

O grande segredo é buscar o equilíbrio entre ambas e não apenas confiar na razão. Se observarmos nossa formação acadêmica, logo observaremos que ela não oferece praticamente nenhum preparo para as tempestades ou oportunidades que a vida impõe. O fato é que nossa cultura e escolas se baseiam no alto QI como garantia de prosperidade, prestígio ou felicidade, ignorando assim o desenvolvimento da inteligência emocional.

Podemos desenvolver a inteligência emocional para melhorar nosso desempenho em todas as áreas da vida, pois esta é alcançada por meio de treino e esforço, requerendo muita persistência. Sobre o assunto Goleman nos dá algumas dicas:

As pessoas têm de identificar exatamente o que querem alcançar – sendo um melhor ouvinte ou controlando seu temperamento nervoso. Então deve se tornar diligente a ponto de identificar mais situações nas quais costuma cair em velhos hábitos e associá-las a uma reação produtiva. Ao realizar esse tipo de exercício analítico firmamente por algumas semanas ou meses, a pessoa poderá substituir os hábitos que deseja eliminar por outros que acabam se tornando automáticos.

Se observarmos analiticamente as pessoas emocionalmente competentes, que conhecem e lidam bem com os próprios sentimentos e com o de outras pessoas, veremos que elas levam vantagem em qualquer campo da vida, pois as pessoas com prática emocional bem desenvolvida têm mais probabilidade de sentirem-se satisfeitas e serem eficientes, dominando os hábitos mentais que formentam sua produtividade. Já a que não conseguem exercer controle sobre a vida emocional travam batalhas internas que sabotam sua capacidade de se concentrar no trabalho e pensar com clareza.

A inteligência emocional pode nos ajudar na formação de equipes sinérgicas e mais eficazes, pois o que faz uma equipe ser sincronizada é a harmonia entre seus membros. Além do mais ela enfatiza a contribuição dos melhores talentos de cada membro da equipe para alcançar os resultados esperados.

Segundo Goleman: Pessoas com QI alto, mas modesto ou baixo QE, tendem a ser altamente efetivas em domínios racionais, mas em suas próprias vidas e na vida social são insensíveis, arrogantes e inaptos em seus relacionamentos. Pessoas com alto QE, mas QI regular, tendem a ser leais e confiáveis, com integridade e empatia, persistentes, conscientes e queridas pelas pessoas. O melhor seria ter QE e QI altos.

O domínio do QE é fundamental para a liderança, visto que a liderança requer habilidades para persuadir e inspirar, compreender e gerenciar sentimentos. Neste aspecto, nas seleções de profissionais que serão altamente exigidos em seus cargos e funções, as pessoas responsáveis devem, antes de tudo, ter a certeza de que os selecionadores possuem esperado nível de QE para lidar com a complexidade da função.

Por fim, podemos apresentar aqui os componentes básicos, segundo Daniel Goleman, para o desenvolvimento da Inteligência Emocional:

  • Autoconsciência: observar-se e reconhecer os próprios sentimentos; formar um vocabulário para os sentimentos; saber a relação entre pensamentos, sentimentos e reações.
  • Tomada de decisão pessoal: examinar suas ações e conhecer as consequências delas; saber se uma decisão está sendo governada por pensamento ou sentimento.
  • Lidar com tensão: aprender o valor de exercícios e métodos de relaxamento.
  • Comunicações: falar efetivamente de sentimentos; tornar-se um bom ouvinte e perguntador; distinguir entre o que alguém faz ou diz e suas próprias reações ou julgamento a respeito; enviar mensagens do “Eu” em vez de culpar.
  • Auto-revelação: valorizar a franqueza e construir confiança num relacionamento; saber quando é seguro arriscar-se a falar de seus sentimentos.
  • Intuição: identificar padrões em sua vida e reações emocionais; reconhecer padrões semelhantes nos outros.
  • Auto-aceitação : sentir orgulho e ver-se numa luz positiva; reconhecer suas forças e fraquezas; ser capaz de rir de si mesmo.
  • Lidar com sentimentos: monitorar a “conversa consigo mesmo” para surpreender mensagens negativas como repreensões internas; compreender o que está por trás de um sentimento; encontrar meios de lidar com medos e ansiedades, ira e tristeza.
  • Empatia: compreender os sentimentos e preocupações dos outros e adotar a perspectiva deles; reconhecer as diferenças no modo como as pessoas se sentem em relação a fatos e comportamentos.
  • Responsabilidade pessoal: assumir responsabilidade; reconhecer as consequências de suas decisões e ações; aceitar seus sentimentos e estados de espírito; ir até o fim nos compromissos.

 

Sobre o autor:

Prof. Márcio Silva, atualmente é mestrando em Psicologia Social pela PUC-SP, tendo como objeto de estudo a “evolução das práticas de gestão de pessoas em ambientes industriais brasileiros”. Estudou Ciências Econômicas pela UEFS, Administração Industrial pela USP, graduado em Marketing, atuando como consultor sênior da Corporativa Brasil e professor do curso de pós-graduação do ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial). Consultor de Treinamento & Desenvolvimento, Gestão de Pessoas e Planejamento Estratégico, Silva é palestrante há mais de 12 anos nas áreas de Liderança, Gestão de Pessoas, Gestão de Clientes e Planejamento Estratégico.

Participou como palestrante da Fispal Tecnologia (29ª Feira Internacional de Embalagens, Processos e Logística para as Indústrias de Alimentos e Bebidas) e do Forum Industrial promovido pela AMCHAM-Campinas. Jurado do Prêmio Nacional de Telesserviços 2011. Autor do livro “Clientes por Todos os Lados” pela Editora Diário (SP), e de diversos artigos publicados na mídia impressa e on-line, tendo como principais clientes: Hershey’s do Brasil, Faet, Royal Canin, Bimbo do Brasil, Maringá Turismo, Cia de Canetas Compactor, FTD Editora, H-Buster, Cremer, GGF Brasil, IMMA, Arbor do Brasil, Sodramar, SAE Towers, Brady Corp, PQ Silicas, Metalvic, Aliança Metalurgica, CELEPAR – Companhia de Informática do Estado do Paraná, Deca S/A, entre outros.

Visite o site do autor: www.corporativabrasil.com.br

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